Nelson Querino

A força e a voz de um povo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Ășltimo combate de Che Guevara


Em novembro de 1966, Che chegou a La Paz, com documentos falsos, com o nome de Adolfo Mena, Enviado Especial da OEA, para realizar um estudo sobre as RelaçÔes EconĂŽmicas e Sociais vigentes no Campo Boliviano. A credencial foi fornecida pela Direção Nacional de InformaçÔes da PresidĂȘncia da RepĂșblica. Nessa oportunidade, Che se apresentava bastante calvo e sem barba. Seu roteiro de viagem atĂ© La Paz incluiu Praga, Frankfurt, SĂŁo Paulo e Mato Grosso.
O movimento guerrilheiro da BolĂ­via recebeu ajuda financeira, entre outros, de Cuba, Sartre e Bertrand Russel, que recolheram dinheiro nos meios intelectuais. ApĂłs onze meses de luta e uma sĂ©rie de peripĂ©cies, as guerrilhas foram dizimadas pelos "Boinas Verdes QuĂ­chuas", tropa de elite do exĂ©rcito boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim.
Che foi ferido na tarde do dia 7 de outubro de 1967, Ă  13:30, aproximadamente. Atingido em vĂĄrias partes do corpo, orientou seus captores na colocação de torniquetes para estancar as hemorragias. Em seguida, foi levado para Higueras, lugarejo a 12 km do estreito do Rio Yuro, onde aconteceu sua Ășltima batalha. Deixaram-no abandonado, sem nenhuma assistĂȘncia, numa sala vazia da escola local. ApĂłs 24 horas e numerosas consultas chega a ordem: Che Guevara deve morrer.
O capitĂŁo Gary Salgado, chefe da companhia de rangers do 2Âș regimento que o capturou, dispara-lhe nas costas um rajada de metralhadora, de cima para baixo. O Coronel AndrĂ©s Selnich, comandante do 3Âș Grupo TĂĄtico, dĂĄ-lhe o tiro de misericĂłrdia, com sua pistola 9 mm. A bala atravessa-lhe o coração e o pulmĂŁo.
EstĂĄ morto o sĂ­mbolo da guerrilha na AmĂ©rica Latina, que se achou mais Ăștil ao seu povo servindo Ă  causa da Revolução Internacional que Ă  da Medicina.
A extinta TV Tupi foi a Ășnica emissora de televisĂŁo no mundo a filmar o corpo de Che. A equipe estava em Valegrande, em virtude de problemas com o carro que a transportava, a caminho de Camiri, onde haveria o julgamento de RĂ©gis Debray, companheiro de Che que havia sido preso quando chegou a notĂ­cia da morte de Che. Filmaram a chegada de helicĂłptero, que trazia o corpo do guerrilheiro amarrado na sua parte exterior, o povo que o esperava e em seguida sua autĂłpsia realizada num casebre que servia de necrotĂ©rio ao Hospital Senhor de Malta, em Valegrande.
"Um Ernesto Che Guevara magro, de barba rala, olhos muito abertos e um sorriso estranho nos lĂĄbios mortos", lia-se no Jornal da Tarde de 11 de outubro de 1967.
Logo apĂłs mostrarem o corpo aos poucos jornalistas que conseguiram chegar a tempo ao local, arrancaram-lhe o dedo indicador, nĂŁo se sabe pra quĂȘ, e incineraram seu corpo, pois temiam um peregrinação ao seu tĂșmulo.
Em 1971, Fidel Castro tentou trocĂĄ-lo por prisioneiros cubanos, mas a BolĂ­via se recusou a negociar.
 "De Che nunca se poderĂĄ falar no passado." Fidel Castro.        

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